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Sobre as eleições / A desilusão

Queria ter editado este post mais cedo. Não consegui. Escrevo agora, ao bater das 20h00 do dia 4 de Outubro de 2015, hora em que se tornam conhecidas as primeiras projecções relativamente ao resultado eleitoral das Legislativas, onde tudo aponta para a vitória que eu temia: a da coligação (PSD + CDS). Escrevia eu, na publicação anterior sobre as “As Mil e Uma Noites” e num desabafo utópico, que gostava muito que se fizesse história. Uma história diferente onde forças políticas menores ganhariam força, onde se escorraçasse a corja elitista e graxista que se habituou a mover-nos como marionetas. Por razões óbvias, era uma história difícil de escrever: de um lado, estão os portugueses interessados na vitória específica de um partido, por razões de compadrio, subidas ao poleiro, jeitos e cunhas; outra fracção, pertence às pessoas que continuam a votar como se isto fosse o campeonato de futebol, onde só interessa a cor; por último, os portugueses interessados nos valores reais, q...

Reflectir / As 1001 Noites

Já aqui disse algures, mas repito: vão ao cinema ver "As Mil e Uma Noites" , de Miguel Gomes. São três volumes (neste momento está em cena "O Desolado") que, para mim, são de longe o melhor retrato do país alguma fez feito em cinema. É baseado em factos recolhidos por jornalistas e está simplesmente genial. Uma obra de arte feita com a nossa realidade, que nos faz pensar naquilo em que o país se tornou desde que recebemos a Troika . Esta trilogia baseia-se, na sua forma, no clássico "As Mil e Uma Noites": temos uma Xerazade que tenta, noite após noite, entreter o Sultão com histórias sobre um povo que vive sob a alçada de um programa de ajuda financeira que a todos - quase todos - rouba dignidade e qualidade de vida. Estas histórias são a nossa história, contada de uma forma bem original, num retrato cheio de símbolos e pormenores geniais.  Falta estrear o terceiro volume. Não fui pesquisar nada mas, tendo em conta que o título é "O Encantado...

Em quem não votar

Legislativas à porta. Candidatos e partidos a dar com um pau. Balelas, manobras de distracção, erros crassos e um cenário assustador, ao ver que quase todas as opções são, na verdade, "não-opções".  Não me sinto preparada para fazer um voto consciente. Tenho apanhado notícias e citações fora de contexto, falta-me muita informação e não consigo pender com segurança para lado nenhum. Porém, já tenho uma certeza: tudo menos manter o actual governo. Depois de aumentar o desemprego, cortar nos salários e apoios sociais, expulsar literalmente os portugueses do seu país, reduzir o sistema de saúde público a lixo, alienar as empresas que davam lucro e enfrentar o Tribunal Constitucional, se o Passos Coelho volta a ganhar as eleições, cai-me tudo. Acredito que somos um povo inteligente mas, dada a quantidade de apoiantes que a coligação PSD/CDS tem, nada é impossível. Pergunto-me: são burros, têm má memória ou têm interesses particulares? Não sei, mas seja qual for o moti...

Isto está tão bom!

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Créditos para a Mariana, que me mostrou e para o autor do blog Por Falar Noutra Coisa . [postei no telemóvel e não me apercebi da dimensão da imagem, para consultar com zoom, aqui ]

Círculo vicioso

Com o chefe, a ver uma lista antiga de clientes: "Este já fechou, este também já fechou, este emigrou, este mudou a empresa de nome, este é um vigarista, este fechou,  este deve-nos dinheiro, esta paga sempre atrasada, este já fechou, este também emigrou..." Parece uma anedota mas é esta a realidade - a nossa e a deste país: cada vez mais empresas a ir ao fundo, muitas a tentar manter-se à tona, pessoas e mais pessoas dependentes disto tudo... e um Governo inútil.

Sobre as autárquicas

Gostava que a abstenção fosse estudada em profundidade, que não fosse só a leitura fácil de que metade do país não se preocupa minimamente com o meio em que vive. Gostava porque estou convencida que, este ano, houve gente a deslocar-se às urnas que não o fazia há muito. Acho que este ano há mais gente acordada e sensível às questões políticas, mas também acho que o acto de votar está dificultado e não se adapta a um estilo de vida pós-moderno. Ser domingo já não é sinónimo de não haver trabalho para ninguém. Ser domingo não muda o estado de doença aos acamados e internados. Ser domingo não leva os madeirenses e açorianos de volta a casa para passar o fim-de-semana quando ainda há pouco tempo vieram para o continente por causa do regresso às aulas. Há gente (gente?) que se está nas tintas, é bem verdade, mas não acredito que esse número corresponda a metade da nossa população. Poderiam dizer-me: quem está longe pode votar à distância. Pode, na teoria. Na prática temos casos e c...

O Cavaco é cá um banana...

... mas falemos de outras coisas. Do mar excelente deste fim-de-semana. Do jantar habitual. Dos amigos. Do namorado, esse fora de série. Do projecto que nos enche de trabalho mas também nos traz orgulho. De coisas boas, que amanhã já é segunda-feira e eu estou toda arriadinha. 

Paulo Portas apresenta demissão

Que o Gaspar tenha atingido o limite não me espanta. Agora o Portas? Confesso que não esperava [ aqui ]. E esta brincadeira de estarem todos a dar de frosques no Verão, é para ver se a malta não repara? 

Geração "?!" #1

Sou da geração que, tendo metade da idade dos seus pais, já viveu mais do que eles (não necessariamente melhor mas isso depende de cada um). A geração que cresceu confortavelmente com brinquedos, com tecnologias, com aulas de natação, lições de inglês, férias, cinema, música, parques temáticos, entre tantas outras actividades, bens e oportunidades. A geração educada com o "se estudares podes trabalhar naquilo que gostas, ganhar bem, viajar, casar, ter filhos, um automóvel, uma moradia e tudo o que desejares" e que se preparou para um futuro que, chegado o momento, não encontra. Não esquecendo o particular (uns tinham mais férias, roupas e/ou brinquedos do que outros; mais ou menos atenção e estímulos; mais ou menos facilitismo; etc.), podemos generalizar ao afirmar que a maioria dos jovens de hoje cresceu com a crença - tão enfatizada por pais e professores - de que, se se esforçasse, veria os seus objectivos cumpridos. Não está a acontecer: a taxa de desemprego jovem as...

Do desemprego #1

10 horas de sono e 6 Km de bicicleta depois continuo desempregada e frustrada mas, pelo menos, consegui expulsar a nuvem negra que ontem se resolveu instalar sobre mim. Começa a ser difícil lidar com tudo o que esta condição (sem condição) acarreta - as notícias, os anúncios sem resposta, os trabalhos que ainda não me pagaram, as hipóteses que já não posso ter, os amigos que deixo de ver e os cafés que ficam por beber... E depois, é saber que somos milhares. Se por um lado isso podia descansar-nos porque o problema não é exactamente nosso, por outro é uma preocupação ainda maior, por estarmos todos a cair num buraco de onde parece cada vez mais utópico retornar. Portugal, Portugal.

Relvas pede demissão

Notícia fresquinha e verdadeira para ler melhor  aqui . Não sei o que lhe deu (vergonha na cara, espero) e não sei os contornos que a história toda vai tomar, mas para já sinto-me numa espécie de 25 de Abril e desatei, do nada, a informar toda a gente. Adenda: Tradução do que o Relvas disse na Sic Notícias: "não conseguimos empatar mais o Nuno Crato, a malta estava a fazer pressão para saber o resultado do relatório, o Passos estava todo cagadinho e prometeu-me que me dá um tachito se eu me afastar, eu não sou de abandonar o barco e por isso estou com esta cara de aziado - porque no fundo, vocês sabem bem, sou gajo com lata para aguentar isto e muito mais -, mas vou fazer o favor ao meu puto, grande Passos pá, mantém-te fino que chegaste onde chegaste graças aqui ao je ". Um palhação.

TVI, és tão original...

Não é novidade nenhuma que, ali para os lados de Queluz, a busca por audiências roça o ridículo, mas podiam esforçar-se mais um bocadinho (e, já agora, gozar menos com as pessoas). daqui.

Ge-ni-al!

Facturas em nome de Passos Coelho entopem Finanças (link) Palmas para quem se lembrou disto. A sério. O povo é quem mais asfixia   (link) Um aplauso também aos grandes Bruno Nogueira e João Quadros. Vergonha na cara é expressão que não atinge o Governo. Mas devia.

Boas notícias

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Praia da Comporta - Portugal - Setembro 2012    Já sabem que o nosso país foi considerado o melhor destino do mundo a visitar em 2013  pela  Globe Spots , certo?    Tive uma semana atribulada e não vi noticiários, mas assumo que esta notícia não terá passado ao lado de nenhum editor. Mal lhe deitei o olho no P3 tive vontade de aqui vir contar, radiante, mas o tempo foi nulo. Ainda assim, quase uma semana depois, não podia deixar de o mencionar, neste que é o espaço onde mais deixo pegadas das minhas viagens.    Todos os anos me atiro pelos caminhos de Portugal : descubro cidades, descubro praias, descubro campos; descubro chuva, frio, neve e calor de morrer; descubro mais um miradouro, mais um recanto na minha cidade, mais um café cheio de pinta; descubro adegas, largos da igreja, lareiras em casas de pedra; descubro castelos e estatuetas, animais e plantas, palavras e ditados, música e gente... e deleito-me.    Está...

Greve

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Porque nestes dias há sempre uma série de coisas que nos passam pela cabeça, que ouvimos na rua, que vemos na televisão... 2h24 - A menos que pusesse em causa a minha situação ou fossem tarefas de vida ou morte, se tivesse um trabalho faltava: mesmo que fosse justamente remunerada, tivesse regalias e adorasse o cargo... este é um momento de união e principalmente de solidariedade, onde quem está bem deve estar sensível aos outros. 2h37 - Se o país parar hoje, é bonito de se ver e eu em princípio não passo mal (há comida no frigorífico). Foto Antiga - Peditório para o Cavaco Silva (quando contou a anedota de não lhe chegar a reforma) Belém - Janeiro 2012 3h20  - Um exemplo das tais impossibilidades de aderir às causas, que mencionei acima, no  P3 :  O melhor que Francisca (...) pode fazer (...) é ir trabalhar. Palavra da própria, licenciada em Ciência Política a trabalhar como comercial a recibos verdes há dois anos. Se pudesse (...) parava (...)...

Sobre a manif de sábado

   Não falei sobre ela antes porque soube, desde que havia sido marcada, que não poderia estar presente fosse em que ponto do país fosse. Ainda assim, fiz figas  e torci por nós, um país que desde sempre afirmei não ser "corno manso" - e pelo que já ouvi, não me enganei.    Talvez haja muita gente com o rei na barriga - ainda estes dias o pude comprovar - mas quero acreditar que somos superiores a isso e que, num momento como este, vamos saber aproveitar para crescer interiormente e mudar, para que o Portugal mude também. Obrigada aos milhares que se uniram no passado dia 15. Enchem-me de orgulho e, a haver próxima, vou estar lá de certeza.    Entretanto, espero voltar ao mundo e ficar a saber com mais precisão tudo o que se tem passado. Já sei que o Portas não apoia as medidas que o Passos anunciou recentemente... menos mal!

Setembro mudou

.    Sete da manhã como há muitos anos e as palavras rotineiras - "acorda"/"bebe o leite"/"escova os dentes"/"olha a mochila". Sai finalmente de casa, depois de pôr a louça na máquina e mudar a t-shirt ao João Miguel, que mais uma vez se distraiu a ver os desenhos animados enquanto comia os cereais. Putos  na escola, deita o olho à capa do jornal, queima a língua na bica apressada, desrespeita os limites de velocidade, a mesma história de sempre para estacionar. Nove horas e um minuto. Ufa , o chefe ainda não chegou.    A mãe parece fazer questão de abrir ruidosamente o  estore. A ela, aliam-se os raios de sol que teimam em incomodar. Merda , o saco da ginástica não está pronto. Os snacks  a ocupar a boca enquanto os desaforos do pai ocupam os ouvidos a cada semáforo vermelho. Toque de furo. "Desculpe stôra ...".    O quê? O despertador já está a tocar? Mas deitei-me há... 2 horas. Dia de apresentação, nem pensar em baldar-se...

As dúvidas do presidente @ Revista Sábado

   "O programa de ajuda externa da troika tem muitos pontos que podem ser atacados: para os funcionários públicos, vai aumentar drasticamente o desemprego; para os funcionários do privado, vai liberalizar os despedimentos; para os empresários, vai eliminar as taxas reduzidas de IRC; para os trabalhadores, vai subir o IRS; para os desempregados, vai cortar o subsídio de desemprego; para os empregados, vai reduzir as indemnizações pagas pelos patrões; para os comunistas, vai privatizar o Estado; para os capitalistas, vai obrigar a subir os rácios de capital da banca; para os médicos, vai interferir na escolha dos medicamentos que receitam; para os professores, vai destruir a escola pública; para os nacionalistas, vai colocar estrangeiros a controlarem o Governo; para os regionalistas, vai destruir o poder local, cortando câmaras municipais e juntas de freguesia.    Como se vê, é fácil encontrar alguém descontente com o memorando da troika e é ainda mais fácil encon...