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Factos

Abri finalmente o cartão de memória da máquina fotográfica. Achava que ainda não a tinha usado este ano, mas enganei-me: usei-a duas vezes. [Duas vezes enterradas no passado: a vossa casa, na última vez que lá entrei; nós os dois, num presságio do que viríamos a (não) ser.]

Mantenho-me ausente por tempo indeterminado mas...

... tinha de abrir aqui um espaço para marcar no calendário que um dos grandes objectivos para este ano já está. E dizer também que está tudo muito bem, mesmo não parecendo porque, nas últimas vezes, escrevi sobre histórias menos felizes - as únicas destes tempos de histórias muito felizes. [já disse algures que acho a palavra felicidade - e derivados - feia e isso mantém-se, mas é a que se emprega melhor aqui.] Continuo a levar à letra o work hard, play harder . Tudo disciplinado - ou não. Poucas horas de sono mas mais do que há um ano e pouco atrás. Muitos objectivos, algum nervoso miudinho com tanta coisa a acontecer. Mas muita satisfação, no final de cada etapa. Em breve acabam mais algumas e, espero, estarei mais descansada. Talvez com mais tempo para processar tudo o que aconteceu nos últimos dois anos (que a mim me pareceram 3 meses). Talvez, mas provavelmente não, porque ando bem sempre a correr. Espero continuar a sentir-me realizada, ser sempre alguém presente e...

Alhos sem bugalhos #1

A mesa aberta, as cadeiras à volta, uma taça com tremoços, outra com azeitonas. As santas sobre a mala e o candeeiro que eu acho que nunca tinha visto mas que, pelo aspecto, está ali há mais tempo do que eu existo. A casa remodelada mas sem sombra de modernidade. As portas pintadas num tom claro - e agora ternurento - de cinzento. Nunca me pareceu poético. Nunca me pareceu poético e não me lembro, sequer, do que me possa ter parecido. Memórias vagas da(s) sala(s) e de como era o pátio no tempo em que por algum motivo por ali andávamos a brincar. Da cozinha lembro-me melhor. Aquele poster que tivemos durante anos, com a bisavó comigo ao colo, sentadas ao lado da lareira, não deixa esquecer. Eu, bebé, com um chocalho azul e laranja na mão. Ela, com a cara e o nariz iguais aos da bruxa da Branca de Neve quando se mascarou de velhinha para lhe oferecer a maçã. Eu, de babete branco. Ela, com um só dente e um sorriso. A cozinha, com os azulejos que só conheço dali e que ainda hoje l...

Espero voltar em breve

Se até aqui eram milhares de coisas a acontecer em simultâneo, agora arrisco-me a afirmar que são milhões. Falamos em 2016? 

#felicidade

Regressei a transbordar de alegria, ajudei turistas atarantados com a greve do metro, conversei com uma senhora idosa no pingo doce, troquei bitaites sobre politica com o taxista. Fui com a minha mae e a minha tia a praia, fiz o nosso jogging a beira mar, li a visao, resolvi um sudoku, desfiz as malas, entreguei os souvenirs/recuerdos/ regalos, recebi os miminhos das minhas garotas, pus o iman no frigorifico, comi sopa (ja estava a ressacar), calcei uns saltos, fui pra balada, desfiz um mal entendido, ri como italiana que fui noutra vida ( sorrisi gratis ), dancei e cai na cama. Bem sei que este texto soa a piroseira, mas sou muito grata por tudo isto: pela sorte infinita de viver assim, por voltar sempre com o coracao mais cheio e por nao viver atrelada a merdas que me exijam conter - sinto-me genuinamente feliz, como se estivesse constatemente a abarrotar de pizza, gelatto e spritz . O mundo e lindo, Italia e linda e eu so posso estar eternamente agradecida por poder ter conscien...

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A minha avó não vai comentar mais as minhas calças rasgadas. Não me vai voltar a perguntar se fui à corrida. Não vai pedir mais para partir o bolo. Não vai insistir mais para comer outra fatia. A minha avó morreu. Tenho de ler isto muitas vezes para acreditar.

Tão. Bom.

Uns raios de sol mais quentes, o mar, a serra, a nascente do rio e a natureza. Calçar uns patins mais de dez anos depois*. Caminhar, correr e parar na esplanada para lanchar um croissant de chocolate ( haters gonna hate :p) . Andar de baloiço. Cozinhar. Dormir umas horas. Sair. É tudo tão lindo quando se dorme. Não se pode almejar muito mais do que isto. * que se desintegraram assim que ameacei começar a andar (quem disse que ter comprado uns patins número 38 aos nove anos de idade tinha sido um investimento inteligente, não se lembrou que o plástico acaba por ressequir com o tempo).

Domingo sounds like everything and more

Confesso que estava a precisar de um dia sem planos. Sem pressas, sem bicho carpinteiro e sem despertador. Com um bolo no forno, amigos e família à vez ou todos juntos, sozinha com uma chávena de cacau e um livro, de olhos fechados a dormitar. Como me desse na real gana. Exactamente como hoje. [Pena estar a acabar e amanhã ser segunda-feira. Méé.]

Jantar de Primos

Tirando a parte em que tiveram todos pena de mim e me pagaram o jantar (não sei se por ser a "doente", se por ser a mais nova ou - a justificação esfarrapada - por ter sido eu a marcar o restaurante e a falar com toda a gente), foi top. Somos lindos, não alienem estes genes com os quais tivemos a sorte de nascer e fica a promessa de que para a próxima vamos tentar marcar no "Morte Lenta" para fazer a vontade aos velhinhos e recordar o puré frio que comemos anos a fio, nos almoços de família pagos pelo ti Esquim Pereira.

Just in case...

Amanhã faço nova recolha de sangue, vou ter o resultado de algumas análises e exames e vou, finalmente, ouvir parte (acho que alguns resultados ainda estão pendentes) da minha sentença. Tendo em conta os chinelos horríveis que a minha mãe me levou para o hospital - fui gozada, e com razão, por toda a gente - decidi deixar escrito as minhas exigências no caso do desfecho desta história se adivinhar fatal. Mantendo-me fiel a mim mesma, as exigências são poucas mas acho que farão a diferença entre algo ao meu estilo ou algo que me envergonhe. Sem mais delongas: não é preciso haver missa; o caixão tem de ser branco, de linhas direitas, sem verniz; nas flores só quero tulipas soltas, brancas e de várias cores (incluindo azul, preto e violeta); maquilhagem clean com batom e unhas da mesma cor (cor dentro do que estiver actual e que fique bem com a roupa); cabelo esticado mas não assolapado; este vestido e estes sapatos (se não ficar bem com o tom de pele desmaiado peçam ao Dino Alves...

Amor com Amor se paga

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Vamos falar de certezas? Sou uma privilegiada por ter pessoas tão espectaculares à minha volta. Uma família enorme que me enche o peito de orgulho, os melhores amigos do mundo, um namorado que me enche as medidas e queques para agradecer. Estou mais eficiente que nunca. Criativa até mais não. A estadia no hospital foi de tal forma uma saída da rotina que não parei de ter ideias (se calhar também andei a alucinar com os medicamentos, quem sabe). Anotei sempre tudo. Cheguei a casa com páginas e páginas de ideias e tarefas para concretizar. Juntei-lhe tudo o que adiei nos últimos meses (algumas coisas estavam adiadas há anos sem eu me aperceber) e deu-se em mim uma explosão de 'bora lá que, juro, desconhecia possuir. Nunca fui uma inerte ou parasita (vá, no primeiro ano da faculdade andei lá próximo) mas esta histeria é de mais. Mal tenho dormido, é certo, mas numa semana de baixa (estar de baixa é tão adulto, meu Deus - não acredito em nenhum mas é a expressão que me ...

Adeus avó São

Tenho pensado em muita coisa. Dito pouca. Ouvido e observado bastante. Obrigada por esta família avó. Pelo exemplo de esforço e trabalho, pelo brio que punhas em tudo o que fazias. Pensaste nos pormenores todos, espero que tenha sido tudo segundo a tua vontade e espero que nunca tenhas posto em causa a tua importância, que era tanta. Tenho lembrado alguns momentos da infância. O quanto me ralhaste por não ter descascado as batatas de forma exemplar. A saia vermelha das pregas que me compraste e que custou dez contos. As papas com o café pela manhã. Aquela blusa azul e branca que a avó teve desde sempre e os sapatos que eu às vezes experimentava. O cheiro a carapau (seria sardinha, ou chicharro? Nessa altura não distinguia mas fugia fosse qual fosse o peixe em tua casa). O terço ao fim da tarde "oh Maria concebida sem pecados" e os jogos de cartas. O cheiro a tabaco da sala que me lembrava o avô. Aquelas plantas. Tu a lavar a roupa à mão. O cheiro do corredor a caminho do pát...

Sequências do fim-de-semana*

Holandês. Praia do Pedrogão. Lanheiro. Praia da Cova. Amigos. Família. Bom tempo. Amor. */ignorando o tema do momento.

Fingers crossed

Não depende sempre de nós salvar o mundo - não de todos, ao mesmo tempo ou não de todos, da mesma forma. Há momentos em que só podemos aguardar e viver em suspenso, quase não viver. Viver sem fazer barulho para não acordar o resto dos fantasmas, se os há. Esperar porque quando não sabemos ou não podemos, o tempo resolve, mostra-nos o caminho, entrega pistas. Já passou algum tempo, o vento amainou e já nos deixa dormir. A tempestade ainda não passou, muito mais tempo terá de correr para podermos respirar de alívio e cair em sonos profundos mas, para já, estamos serenos (e a dar luta).

Maggie

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Linda, impossível de fotografar (só está quieta a dormir), mimalha e inteligente (usou logo a caixa da areia). O nosso novo amor.

Factos

O Dr. Why proporciona-nos sempre bons serões. A Feira de Maio já começou. A Petisqueira já abriu. Os gelados da Emanha continuam a ser uma perdição. A minha avó foi a pessoa com mais visitas no Dia da Mãe. A minha mãe, a propósito, é a minha heroína. Preciso urgentemente de me apaixonar por um par de sandálias. Já só penso no Algarve. A Raquel não me falha. Tenho de reduzir na manteiga. O meu coração é dele. Quero muito ir aos três dias do Alive . Tenho saudades do Rum. Sinto-me propensa ao vício das raspadinhas. Continuo a suspirar pelo Euromilhões . Amanhã é segunda-feira.

Do meu pai

Podia escrever um livro sobre tudo o que gostaria de mudar nele, para o seu e nosso bem. Encheria centenas de páginas para enumerar todas as manias, todos os defeitos e tudo o que me irrita. Sublinharia as desilusões dos últimos anos mas acabaria por recuar lá para trás para agradecer o investimento e atenção que me dedicou em miúda. A música, as cores, a fala irrepreensível, os desenhos, as letras e a escrita. Abriu-me horizontes, nunca deixou de me explicar nada por ser demasiado nova, foi sempre transparente e chegou mesmo a ser o melhor do mundo - de forma tão genuína que me dói ver tudo isso perdido no tempo.

Felicidade é...

... conjugar os verbos ser (pessoa, livre, fim-de-semana), estar (disponível, na ronha, tranquila, com energia, de bom humor, no sofá), respirar (fundo, o ar frio do inverno no campo, de olhos fechados), tomar (um bom banho, um bom café) dormir (quanto quiser), preguiçar, espreguiçar, comer, ouvir (boa música, um elogio, a chuva a cair), riscar (a to do list ), ajudar, ver (um filme, os amigos, os avós), brincar (com a afilhada mais bonita e espertinha do mundo), jogar, adivinhar (os logótipos das marcas), correr, aguentar (os 180 agachamentos), cozinhar (uma tarte de maçã de lamber os beiços), conversar, planear, desfrutar, experimentar, enroscar (-me em ti), saltitar, provar, conduzir (na reserva, em noite de tempestade), escrever, sentir, visitar e aprender, pela ordem que me apetecer (e repetidamente, se assim o entender).

Ah ah ah ah

Os meus pais fazem 25 anos de casados. É só.

2013

Podia ter sido o ano do desespero. Estava há 3 meses à procura de um trabalho na área (que me enchesse as medidas e não fosse uma chulice pegada) e a tarefa parecia uma missão impossível. Estar em Lisboa deixou de fazer sentido (viver fora às custas dos pais não era opção), decidi o óbvio - voltar para debaixo da asa dos papás -, fiz as malas e aterrei numa casa que, até este ano, nunca tinha sentido como verdadeiramente minha (história de outros capítulos). O regresso podia ter corrido mal. Voltar à rotina familiar, aos horários estabelecidos, ter de depender de outros para me deslocar, ter o namorado e alguns amigos longe, ter de lavar a louça logo a seguir ao jantar (das piores coisas que me podem pedir!) e ter de aturar as neuras de cada um são pormenores que podiam ter feito alguma mossa. Podia ter-me sentido a mais (conheço casos desses) ou, pior, ter-me deixado ir a baixo com a frustração de não arranjar emprego. Podia ter sido um drama, podia ser hoje uma feiosa solitária c...