1400 Km

   Não que não tenha uma colecção de fotografias para expor, mas estou com saudades das teclas do meu computador. Esta vontade súbita de preferir palavras a imagens pode dever-se ao facto de ter estado quase 8 dias sem escrever mais do que escassas SMSs, pois geralmente quem prevalece é a fotografia, que me costuma dar menos trabalho e no estilo de vida que levo se encaixa na perfeição. Uma imagem, mil milhões de ideias - e pronto, não é necessário exteriorizar o pensamento (que é de longe a pior tarefa que me podem dar, não pela dificuldade de expressão literalmente falando, mas por todas as pontas que os meus pensamentos têm e por todas as voltas que adquirem, se lhes dou alguma atenção), já que quando revir o post vou recordar-me.

   Isto tudo para introduzir os meus momentos de descanso. Descanso em itálico porque, fisicamente, foram dias um tanto ou quanto exigentes e, psicologicamente, também não foram propriamente dias de alívio, entre o medo de abrir a caixa de correio e o ter levado uma pen duplamente inútil (que não só tornou impossível aceder às músicas e, por isso, arruinou em parte a banda sonora para as viagens, como também decidiu destruir um documento que contava concluir). Problemáticas pessoais à parte, a palavra descanso pode ser utilizada claramente se mencionar o uso de aparelhos como o computador e o telemóvel, que foi reduzido em 90%. Pode ser referida se tiver em conta as horas de praia feitas, em troca das horas sentada à secretária. Faz todo o sentido se realçar a troca total das leituras de livros e artigos científicos por revistas e jornais. Enfim, recuperei toda uma vida lá fora que estava - há demasiados dias - afastada de mim e começava a comprometer o meu desempenho.
 
    Jantámos por Lisboa e na manhã seguinte estávamos a fazer praia na Caparica. Daí fizemos a Costa Vicentina e, por fim, a Algarvia (ainda pusemos o pé em Espanha, para poupar cerca de 16 cêntimos/litro). "Não deu para mais, Gonçalo" - e não deu mesmo. Ainda pensámos subir pelo interior, mas o cansaço e os prazos acabaram por se sobrepor. De modo que fomos "picando cartão" pelas praias; apanhando sol; levando "banhadas"; pernoitando em parques de campismo, apartamentos e residenciais; comendo fast food; e falando de carros (para alegria de uns e tristeza de outros). Deu para rir, deu para abordar assuntos mais sensíveis, deu para planear as próximas férias, deu para apanhar ondas. Deu para, sobretudo, ocupar os dias com coisas diferentes - e isso, não me vem expressão melhor à cabeça do que: "caiu que nem ginjas".
   Apreciámos paisagens, apanhámos uns sustos, vimos porrada, andámos no canguru. O meu cabelo não está perfeito (a minha pele muito menos), mas o meu coração está recheadinho, porque quem fica faz questão de o mimar. E o melhor? O melhor é que a questão de que falo é intrínseca à nossa existência. Ninguém ali pensa directamente no assunto, ninguém ali se esforça minimamente para ver os outros bem, ou para que tudo corra conforme o esperado. Não dizemos o quanto nos adoramos e a maioria das vezes isso não nos passa, sequer, pela cabeça. É tudo tão natural quanto aquilo que somos e é tudo tão puro que, na nossa amizade, ninguém precisa de pedir desculpa - porque ninguém faz nada que seja tão estranho ou irregular que leve os outros a duvidar e a necessitar de explicações.

   1400 quilómetros, um sol abrasador, um país lindíssimo, uma companhia indispensável. Obrigada!

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