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Quando ter má memória é bom

Abrir caixas (e pastas digitais) e deliciar-me/morrer a gozar com as coisas que descubro de mim mesma. Hoje: um ficheiro áudio de 2012 onde canto e toco ( honestly , não sei qual das duas acções faço pior) a música  Baby when you're gone ; o melhor videoclip que fizemos na vida e a prova de que andámos sempre à frente do nosso tempo (chama-se Nuz África , data provavelmente de 2005 e põe a um canto a maioria dos youtubers de sucesso actuais); um edital de 2010, relativo ao Pic-Nerbic; uma foto bem recente onde tentei fazer de super homem, na Basílica de S. Pedro, com a capa que me deram no Museu do Vaticano para tapar os ombros desnudos. Podia dar-me para pior.

Tem graça

Começar a trabalhar numa empresa e, durante os contactos que fazes em nome da mesma, encontrares pessoas da tua idade, que andaram contigo na escola ou nas actividades extra-curriculares, que conheceste "na noite", enfim, putos (como tu) que de repente estão num registo completamente inesperado e que, normalmente, neste primeiro impacto só te fazem lembrar episódios caricatos. Ahah.

Gosto de futebol

Há anos que não sigo o campeonato porque o tempo não dá para tudo e, como não aprecio gastar o que sobra em frente à televisão, acabei por desligar. Apesar disso, gosto quando me decido (de ano a ano) a ver um jogo alapada no sofá e gosto ainda mais quando o jogo é decisivo e se troca o sofá pelo café. Como boa portuguesa que sou, vibro e paro para assistir a todos os jogos em altura de europeus e mundiais e, espero que não se espantem, também gosto de jogar. Cresci com o meu primo e habituei-me cedo a que bola ou carritos fossem tão presentes como as barbies . Sorte das sortes, com as minhas amigas passava-se o mesmo: como tinham irmãos mais velhos, nenhuma era demasiado "cor-de-rosa", o que nos permitiu desde sempre o dobro das aventuras e lugar garantido nas equipas à hora do recreio. Apesar de jogar à bola quase todos os dias desde os sete, oito anos, foi no 4º ano que a febre do futebol se apoderou de mim e me revelei uma sportinguista empenhada (sejam originai...

Geração "?!" #1

Sou da geração que, tendo metade da idade dos seus pais, já viveu mais do que eles (não necessariamente melhor mas isso depende de cada um). A geração que cresceu confortavelmente com brinquedos, com tecnologias, com aulas de natação, lições de inglês, férias, cinema, música, parques temáticos, entre tantas outras actividades, bens e oportunidades. A geração educada com o "se estudares podes trabalhar naquilo que gostas, ganhar bem, viajar, casar, ter filhos, um automóvel, uma moradia e tudo o que desejares" e que se preparou para um futuro que, chegado o momento, não encontra. Não esquecendo o particular (uns tinham mais férias, roupas e/ou brinquedos do que outros; mais ou menos atenção e estímulos; mais ou menos facilitismo; etc.), podemos generalizar ao afirmar que a maioria dos jovens de hoje cresceu com a crença - tão enfatizada por pais e professores - de que, se se esforçasse, veria os seus objectivos cumpridos. Não está a acontecer: a taxa de desemprego jovem as...

Um brinde a Junho

. Sou feliz o ano inteiro mas Junho tem um sabor especial: traz com ele o calor, o dia da criança, as festas e os santos populares, as frutas mais deliciosas, o tão ansiado Verão e, bónus, o meu aniversário. Durante anos ficou marcado, também, pela alegria do final das aulas e, mesmo que a ida para a faculdade tenha trazido alguma tortura a esta altura, até desse tempo louco - de directas com trabalhos, exames e sono sobrepostos - há uma recordação (relativamente) carinhosa. [recordação?! podia jurar que tinha sido ontem...] Há um ano recebi a última (e a mais alta) nota da licenciatura e mais um motivo de comemoração para juntar ao mês seis. Festejos à parte, foi há um ano que me deparei com as páginas em branco no meu livro. Foi há um ano que apertei a mão ao desconhecido e que nos tornámos inseparáveis companheiros de viagem - e que viagem! Daqui a nada torno-me supersticiosa: hoje que estamos em Junho, que faz um ano que me lancei às feras e que faz um dia desde que f...

Sei que nunca vou crescer totalmente quando...

... ouço esta música e abano a cabeça (e parte do corpo) em movimentos nigga , tal como fazia há dez anos atrás com o Eminem e o 50 Cent.

Nós quatro, uma mesa e uma máquina fotográfica

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 Numa amizade quase tão antiga como o que nos lembramos de ser a vida, é normal que os pormenores sejam absorvidos sem repararmos: estamos entretidos a viver, não obcecados em reflectir em todas as vezes que respiramos.      Olhando agora, vejo que não teria sido estranho se tivéssemos entrado em depressão quando fomos morar para quatro cidades diferentes: afinal, estávamos teoricamente a afastar grande parte da nossa vida. Na prática, contudo, não se revelou assim: fomos naturalmente nas bagagens umas das outras e a essência continua imutável, ainda que as circunstâncias tenham mudado muito. Continuamos a ter qualquer coisa na qual nem sequer pensamos e é por isso que não me apercebi que já tinha passado tanto tempo desde algo que era a mais comum das nossas rotinas: os lanches. .    Passaram quê? Quatro anos desde que nos juntámos as quatro (coincidência numérica) no conforto do lar, à volta de uma mesa cheia de coisas boas? Quatro anos sem as...

Setembro mudou

.    Sete da manhã como há muitos anos e as palavras rotineiras - "acorda"/"bebe o leite"/"escova os dentes"/"olha a mochila". Sai finalmente de casa, depois de pôr a louça na máquina e mudar a t-shirt ao João Miguel, que mais uma vez se distraiu a ver os desenhos animados enquanto comia os cereais. Putos  na escola, deita o olho à capa do jornal, queima a língua na bica apressada, desrespeita os limites de velocidade, a mesma história de sempre para estacionar. Nove horas e um minuto. Ufa , o chefe ainda não chegou.    A mãe parece fazer questão de abrir ruidosamente o  estore. A ela, aliam-se os raios de sol que teimam em incomodar. Merda , o saco da ginástica não está pronto. Os snacks  a ocupar a boca enquanto os desaforos do pai ocupam os ouvidos a cada semáforo vermelho. Toque de furo. "Desculpe stôra ...".    O quê? O despertador já está a tocar? Mas deitei-me há... 2 horas. Dia de apresentação, nem pensar em baldar-se...

Afinal, sei cozinhar

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   Uma vez, a minha mãe ensinou-me a fazer arroz e eu não quis aprender mais nada: era o suficiente para almoçar quando tinha tarde livre (arroz branco com carne do dia anterior ou arroz com atum e maionese... fácil). Já me tinha ensinado, ainda mais cedo, a estrelar ovos , mas as aulas não foram além disso. Tentou por diversas vezes introduzir-me noutras iguarias mas, para sua grande tristeza, eu nunca deixei (estando, a seu ver, a preparar-me para ser a vergonha da família, aquela em que todas as mulheres cozinham de forma exímia). Cheguei a ponderar ouvi-la, mas não, não tinha qualquer apetite (e aptidão, julgava eu) para pegar nos tachos e panelas, pelo que me esquivava sempre - até ponto cruz ela me conseguiu ensinar e cozinhar, nada!    Como sou gulosa, tive vontade de aprender a fazer crepes e, mais tarde, aventurei-me no bolo de iogurte. Feliz com o resultado, fiquei-me por aí . Ainda tentei pudim - que nunca correu na perfeição - e gelatina, que é tão...