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A mostrar mensagens de Setembro, 2013

Sobre as autárquicas

Gostava que a abstenção fosse estudada em profundidade, que não fosse só a leitura fácil de que metade do país não se preocupa minimamente com o meio em que vive. Gostava porque estou convencida que, este ano, houve gente a deslocar-se às urnas que não o fazia há muito. Acho que este ano há mais gente acordada e sensível às questões políticas, mas também acho que o acto de votar está dificultado e não se adapta a um estilo de vida pós-moderno.
Ser domingo já não é sinónimo de não haver trabalho para ninguém. Ser domingo não muda o estado de doença aos acamados e internados. Ser domingo não leva os madeirenses e açorianos de volta a casa para passar o fim-de-semana quando ainda há pouco tempo vieram para o continente por causa do regresso às aulas. Há gente (gente?) que se está nas tintas, é bem verdade, mas não acredito que esse número corresponda a metade da nossa população.
Poderiam dizer-me: quem está longe pode votar à distância. Pode, na teoria. Na prática temos casos e casos, v…

Bolas!!!*

*Estou a poupar-vos ao palavrão.
Ia lançada para actualizar a pasta do meu 365 project. Apesar de grande parte das imagens ser capturada com o telemóvel, numa pressa e falta de esmero abismais, não abdico de cumprir o desafio porque sei que vai ser bom olhar para trás mais tarde e rever o ano mais imprevisível que tive até à data (e em que mais passos dei por minha conta em risco). Ter fotografias chatas ou sem jeito porque os locais onde estive e as tarefas que desempenhei não me permitiram diferente não é encarado como um problema: a ideia e os sentimentos permanecem seja, ou não, o melhor ângulo.
Dizia eu que ia lançada, na urgência de organizar mais de um mês de imagens que tenho em falta, quando o cartão de memória da minha máquina fotográfica resolve contar uma anedota de tirar o fôlego: não reconhece uma das pastas. Tradução: adeus fotografias de Dornes, adeus fotografias de Sintra, adeus mais umas quantas que não me estou a lembrar mas que, de certeza, haveriam de lá estar.
S…

Em loop

Tava na tua Luiz Caracol ft. Sara Tavares
A banda sonora perfeita para uma meteorologia indecisa lá fora e um bem estar indescritível cá dentro, entre arrumações de mudança de estação e a calma de um sábado sem hora ou destino marcado.

Não sei não

Estava decidida a andar de transportes públicos até ao fim do mês mas com a chuva prevista para os próximos dias já não prometo levar a ideia avante. Eu bem ordeno à minha consciência que pense no passe do autocarro que está pago, na poluição que evito, na gasolina que poupo e no facto de só faltarem dois dias úteis, mas ela prefere pensar no desconforto de apanhar uma molha. Vamos ver quem vence.

Meus queridos,

Leiam lá, com atenção, o meu post anterior. Escrevi exactamente que há pessoas que não merecem um pingo da nossa consideração deixando implícito, julguei eu, que há de facto animais mais amistosos e aos quais o nosso tempo é mais bem dedicado. Contudo, não percebo quem faz destas excepções de gente a regra, enfiando tudo no mesmo saco, generalizando. Há pessoas e pessoas, assim como há animais e animais (o primeiro a dizer que gosta de moscas leva o prémio) mas, na minha visão, quem prefere sempre e em qualquer circunstância os animais irracionais, tem problemas graves de um foro qualquer que não me cabe a mim decidir. Agora se não tenho saudades do meu gato? Se entre a morte dele e a de um pedófilo eu poupava o ser humano? Nem pensar.

Não percebo...

... quem diz preferir animais em vez de pessoas. 
Reconheço que há pessoas que não merecem cinco tostões da nossa paciência/atenção/amizade/etc., mas daí a preferir uma lambidela de cão a um abraço de alguém vai uma longa distância (ou muito azar na vida).

Ai que dor

Acordar às sete da manhã a um sábado (e publicar mensagens no blog sem querer).

Mas fixe, fixe, era a Avenida Brasil.

Imagem
Só para acabar com o tema. Muitas vénias à TV Globo.

Sol de Inverno

É desta que temos uma novela portuguesa em condições? Colei no primeiro episódio e vinha lançada para elogiar, até que me lembrei que fiz o mesmo com Dancin' Days (aqui) e passado poucos meses arrependi-me profundamente.

Oh yeah!

Depois de uma boa proposta que deixei escapar entre os dedos, uma série de visitas a stands completamente frustradas (só carros muito recentes e muito caros ou velharias igualmente caras) e muito namoro com o standvirtual, é oficial: habemus carrus
O receio pela compra em segunda mão ainda paira, com o acréscimo de ter comprado a um particular - se o carro pifar amanhã, adeus, nada de garantia. Nunca pus em cima da mesa a hipótese de comprar a um desconhecido, até que me fartei de ver carros que simplesmente não encaixavam no orçamento que disponibilizei ou, encaixando, não valiam nem metade do que pediam por eles (não consigo esquecer o Fiat Uno amarelo com mais de 250 000 Km, dos anos noventa, a mil e quinhentos euros...). Percebi que só teria um carro minimamente ao meu gosto (preço, estética, cor, km, etc.) se saltasse os stands e as suas comissões e assim fiz.
Arrisco-me a uma surpresa desagradável um dia destes, estou ciente disso, mas tenho fé de que possa pertencer à percen…

Não sou mesmo bicho domesticável

Há duas semanas que chego a casa mais tarde do que o habitual e, ao contrário do que seria de prever, os níveis de energia estão nos píncaros. Razão? Entro todos os dias a horas diferentes. 
E não, não ando a trabalhar menos tempo (até faço mais um bocadinho do que o normal), mas o facto de ter extinto a rotina de apanhar sempre o mesmo autocarro, à mesma hora e com as mesmas pessoas, dá logo outro sal à vida. Assim, uns dias apanho o fresco da manhã e noutros já levo com o sol que faz tostar. Parece um pormenor sem importância mas já percebi que, em mim, a monotonia faz estragos tamanhos. E é tão bom, sair sem saber quem vamos encontrar ou que histórias vamos ouvir - ou, mesmo sabendo, que não sejam permanentemente as mesmas (para a semana a rotina está de volta e pode durar meses, a ver se sobrevivo).

Pilar Del Río

Viveu ao lado de um génio. Acredito que não tenha sido escolhida para esse papel por acaso e, quanto mais conheço dela, mais convencida fico - atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher, não é assim? Pilar Del Río: jornalista, escritora, tradutora, determinada, activa e, sobretudo, apaixonada pela vida e por Saramago, com quem casou em 1988 até que a morte os separou.
A separação foi estritamente física: Pilar é hoje presidente da Fundação José Saramago e leva, todos os dias, o legado do escritor mais além. É na qualidade de viúva do Nóbel português da Literatura que é reconhecida e entrevistada mas isso não a diminui: o seu trabalho passa, exactamente, por expandir a obra do autor e não pretende ser conhecida para além disso. Não esquece a promoção dos valores cívicos e tem uma forma de encarar a vida com a qual me identifico bastante.
"Que o que cabe a cada um, não fiquemos sem o fazer. O sentido da vida é viver activamente, conscientemente. E tomar umas tequilas, e b…

Férias? Não, obrigada.

Segunda-feira, mês novo e o Verão a escorregar-me pelos dedos. Aproveitei sofregamente os fins-de-semana, o passado até teve mais um dia, mas ficaram a faltar dias de desconexão total. Dias cujo nome não importa, em que o despertador não toca e o relógio tira folga. Dias em que se veste, diz e vive exactamente o que se quer sem protocolos, regras e imposições - algo a que vulgarmente se chamam férias.
Não me posso queixar só porque em vez de dias tive momentos. Queria mais, claro que queria, mas não tive de menos. Estive inteira em todos os mergulhos, alambazei-me em todos os petiscos, acelerei ao máximo a mota de água, dei cabo dos braços no kayak, dei cabo do rabo na bicicleta, deslumbrei-me com a Serra de Sintra, brinquei com os putos... mas festejei com moderação. Planeei com amarras, com as responsabilidades a passar em rodapé, sem poder tirar os pés do chão. Não é tragédia nenhuma, prefiro não ter férias a sério do que não ter trabalho, mas fica sempre aquela vontadinha secreta…