Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Porta-tazos

Porta-tazos #5 - O puxão de orelhas de aniversário

Fiz anos o mês passado. Quando fui morar para Lisboa este passou a ser um dia entre amigos (quando não era de cara enfiada nos livros a estudar), sem família, e só voltei a partilhar o dia de aniversário com as duas fracções este ano. Para um regresso em grande às comemorações em família, os meus primos brindaram-me com o - adjectivo por definir -  puxão de orelhas de aniversário . E o que é o puxão de orelhas? Basta ser literal: consiste em puxar as orelhas ao aniversariante, tantas vezes quantos anos fizer. Escusado será dizer que este "carinho", quando praticado entre primos, é brincadeira para deixar o pobre coitado do aniversariante com os lóbulos a arder. Se por acaso quiserem colocar este espectacular presente em prática, fiquem a saber que o devem fazer quando cumprimentam o aniversariante - "aaah dá cá dois beijinhos, tumba, já o agarrei, puxem, puxem!". Visto de fora é qualquer coisa como um emaranhado de braços à volta de um corpo de onde só se d...

Porta-tazos #4 - As "azedas"

Imagem
   Com os olhos cheios de cidade, fui dar com elas ali na terra e fiquei a contemplá-las. Levada para outros tempos - em que todos os anos, pela Primavera, havia um dia em que acordávamos e, de repente, os campos estavam cobertos de amarelo -, tive a certeza de que não as podia deixar de fora desta rubrica: afinal, foram uma das iguarias da minha infância. 365 project - day 96    Sim, eu e as outras crianças aqui da zona apanhávamos estas flores para beber o seu suco - terrível, por sinal - no meio das nossas brincadeiras. Não sei de onde veio o hábito mas todos os anos, mal surgiam as ervas, lá estávamos nós a meter o caule à boca (não, não nos passava pela cabeça que pudesse ter andado por ali um cão a deixar o seu xixi, por exemplo).    Posto isto, gostava de saber se há por aí mais alguém experiente na arte de papar luzernas e se era este o nome que davam às flores amarelas, que eu não me consigo lembrar qual o nome que lhes dava (os meus pais...

Porta-Tazos #3 - Convites de Aniversário

Imagem
   No fim do mês vou regressar a casa dos meus pais. Depois de 5 anos fora pode tornar-se complicado, mas para já ando ocupada com coisas mais interessantes - este fim-de-semana, por exemplo, ando em arrumações no quarto de criança/adolescente, à procura de espaço para enfiar tudo o que tenho na minha casa actual. No meio de imensas pérolas, desencantei isto:    Pois é, pois é, os belos convites de aniversário. Isto ainda se faz? De casamentos sei que sim, mas o resto das festividades para que sou convidada chegam até mim via Facebook , e-mail , SMS e, raras vezes, chamada telefónica.    Ok que já não ando na primária, mas os putos de hoje já todos têm telemóvel e/ou Magalhães , aposto que o mágico papel se perdeu e, daqui a uns anos não vão poder olhar para trás e lembrar-se a que festas foram e quem era o amigo mais original (ou com mais ajuda dos pais para manusear o  Paint  e o  Word ). É uma pena mas, analisando bem...

Porta-Tazos #2 - Bolinho

Imagem
   A rubrica dos petizes dos anos 90 não está esquecida e hoje é bom pretexto para a retomar, não fosse o 1 de Novembro um dos dias mais adorados da pequenada, que ignorava a parte de visitar os mortos no cemitério e se concentrava, apenas, em "ir ao Bolinho".    A década de 90 representou a transição entre o costume religioso e o importado Halloween : "Pão por Deus" caiu em desuso (íamos simplesmente "ao Bolinho"); aos habituais pães e frutos secos, juntou-se a oferta de doces (sem que ameaçássemos com travessuras); e, para receber tudo isto, bastava ter lata para tocar às campainhas, que o destino encarregava-se de nos encher de guloseimas o saco feito na escola, de propósito para a ocasião.    Nada de recitar poemas, ler versículos ou fazer malabarismos... pedíamos e os adultos davam. Tudo muito fácil? Desenganem-se! Para rechear bem o saco haviam truques a utilizar e esta é uma selva onde não se safava qualquer criança mimada! O grupo tinha ...

Porta-Tazos #1 - Viva a nossa camionete!

Imagem
   Eu tenho para mim que os condutores dos autocarros alugados para visitas de estudo são surdos. Outra hipótese é terem uma paciência de santo. Ou, então, ganham mesmo bem.   Não sei, mas guiar uma camioneta com crianças durante duas horas sem se despistar é de herói. Chinfrineira constante a cargo de miúdos e educadores, infinitas canções em coro - muitas delas com coreografia incluída - e o habitual cheiro a vomitado. Não é tarefa fácil e nós (crianças), mesmo que inconscientemente, tratámos de querer tornar esses dias mais bonitos para os pobres senhores. Como? Cantando a plenos pulmões (eu que o diga, que ia sempre no banco de trás) o hino dos passeios escolares: o famoso 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 .    Não sei quem inventou tal hit , mas este proliferou para vários pontos do país, ainda que com acentuadas variações de escola para escola - na minha cantava-se  assim:     Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete   ...

Porta-Tazos #0.1

Imagem
    Depois do seguinte comentário ao post   Porta-Tazos #0 : . Bé 17 de Agosto de 2012 05:00 "(...) insisto para que faças a diferenciação entre Matutazos e Poketazos. Consta na lei do recreio que não podes trocar um Duffy Duck por um Ratata e por isso a omissão deste apartheid pode ferir as suscetibilidades das fações mais conservadoras :p  (...)"              Se dúvidas haviam,  Sodona Balalaica  desfez. F ica claro que cada colecção era única e representou uma fase do nosso crescimento, pelo que qualquer pessoa com mais memória do que eu se lembrará, exactamente, de todos os nomes - os da Máscara, eram Mascatazos? :O       Quanto às trocas, mesmo que eu tentasse enganar alguém a trocar Matutazos por Poketazos, não podia: quando estes últimos chegaram, já eu tinha perdido os primeiros ( ya às vezes dou imensa atenção às minhas coisas... não).      No meio disto tudo, encon...

Porta-Tazos #0

Imagem
    Posso não ter tido fisgas, carrinhos de rolamentos ou ter costurado as minhas próprias bonecas, mas isso não significou uma infância e adolescência desprovida de pérolas. Mesmo que menos rudimentares do que os dos famosos anos 80, têm-me vindo à memória certos hábitos e objectos perdidos num lá atrás que dá vontade de remexer. Serão histórias comuns a uma geração? Ou metade do que era normal para mim nunca fez parte dos miúdos da minha idade? A contar descobrir em breve, criei esta nova rubrica: se o Markl tem uma Caderneta de Cromos, eu posso bem ter um Porta-Tazos.    Tazos: um lugar-comum a todos os putos criados nos anos 90. Todos conhecemos e grande parte coleccionou (no mínimo tentou) os pequenos círculos de plástico de duas faces, pelo que me pareceu adequado chamar Porta-Tazos a este (futuro) aglomerado de ideias sobre os meus primórdios. Virtualmente, vou dispensar as cores fluorescentes (o meu era amarelo) e o  espectacular e...