Remar contra a maré #1

Parafraseando Walter Lippmann (...), o nosso mundo é demasiado grande, demasiado fugaz e demasiado complexo para que dele possamos ter consciência directa” (Granieri, 2006[1]).

Não podia ter encontrado melhor frase para descrever a aventura a que me propus este ano: remar contra a maré. As coisas não estão ao alcance de todos os olhos e nem sei se estão dos meus – mas é a partir deles que vejo o presente. Nesta óptica, decidi seguir um ou outro parâmetro, certa do propósito geral e crente da pouca rigidez dos objectivos específicos, num mar incerto (mas sem medo do Cabo Bojador).

Empurrada pelos ventos que escolhi, vim dar aqui: são quase 4 da manhã e, mesmo sem net, peguei no Word para escrever “isto” que agora – certamente um dia depois – publico. Comecei a ler o livro que citei unicamente porque o A. me ligou minutos antes e me espantou o sono – tinha estado a ver um filme simples e com uma história de amor comovente, daqueles quase próprios para adormecer com tranquilidade (fosse a minha noção de tranquilidade a mesma de quem escreveu a trama – não, não acredito que o meu amor, com todas as alegrias que me dá, possa morrer de um dia para o outro e me deixar cá satisfeita – não me parece mesmo, mas enfim, também não quero testar).
Bem, comecei a ler um livro que recebi no verão – essa época do ano que passei a ler livros e teses sobre rádio, música, televisão, entretenimento, marketing e publicidade. Falei ao telefone com um dos meus melhores amigos. Vi um filme. Antes tinha ido ao café com a R., com a nossa C. (que veio com a outra C. dar-nos um abraço), com a A.I. e com o W. Isto a pé, numa noite de Setembro que podia ser confundida com Agosto.
Jantei com a R., na nossa casa nova, uma lasanha daquelas que suja o microondas todo mas sabe mesmo bem. Vimos a novela, na nossa antena com papel de alumínio fornecido pela M. e dei uma vista de olhos no meu currículo – é altura de o fazer circular e, mais importante, de o fazer crescer.
Estou a sentir-me atada sem Internet (foi bom, durante os últimos dias, para me concentrar na defesa do seminário e um bocadinho em mim: o meu quarto está exemplarmente organizado - espero que perdure - e a minha bússola finalmente afinada).
Fixe para mim, que estou satisfeita por poder voltar a dedicar tempo a ler livros, ver filmes, passear e trabalhar em projectos que estavam em stand-by. Isto, circundada por gente fabulosa.

E o que é que este texto pode dar a quem o ler? O que quiserem, mas pelo menos a vontade de mexer o rabinho. Lembrem-se: no giving up when you’re young and you want something!


[1] GRANIERI, G. (2006). Geração Blogue. Lisboa, Editorial Presença.

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