Explicação do post anterior

   O meu ponto não era a importância da experiência, dos CVs ou da vontade que muitos têm de fazer mais. Sou 100% a favor de malta que se empenha, que tem ideias, que se mete em coisas. Eu meto-me em coisas, estou até à ponta dos cabelos com essas coisas e gosto disso - de poder experimentar, fazer, ajudar. Sei que não sou a única, não pus em causa - ou não era minha intenção - a boa fé dos jovens quando aceitam desafios ou procuram mais ocupações.
   O meu problema é com a quantidade de "sims" que disparamos sem pensar. Seja porque nos entusiasmamos com as oportunidades que surgem, seja porque alguém nos pressiona para, seja por acharmos que fica bem no papel, seja porque o nosso amigo também foi. Há vários motivos para o fazermos e cada um terá os seus (que serão mais do que os que mencionei). Não é o motivo que está em causa, é a acção em si e o que isso gera.
   Atiramo-nos de cabeça para todo o lado e acabamos por ir deixando tarefas incompletas. Se estamos a dizer um "sim" ao qual vamos falhar, porquê fazê-lo? Porquê chegar à conferência, pegar no certificado e ir embora sem ouvir o painel? Porquê querer pertencer a um grupo de trabalho se não estamos dispostos a dar o nosso tempo para reuniões e para avançar nos trabalhos? Estamos a falhar (ok que isso não aparece no CV mas a nível pessoal, somos assim tão bons a actuar para nós próprios?) e a sobrecarregar os outros, que ingressaram igualmente no desafio mas estão prontos para o levar até ao fim. Esses, cujo tempo será roubado pelo egoísmo e imaturidade de terceiros, estarão demasiado ocupados a resolver amigavelmente o problema que esses terceiros deixaram pendente - deixaram-no pendente para agarrar novas oportunidades, aquelas que os cumpridores estarão demasiado ocupados para poder agarrar.

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