Greve

Porque nestes dias há sempre uma série de coisas que nos passam pela cabeça, que ouvimos na rua, que vemos na televisão...

2h24 - A menos que pusesse em causa a minha situação ou fossem tarefas de vida ou morte, se tivesse um trabalho faltava: mesmo que fosse justamente remunerada, tivesse regalias e adorasse o cargo... este é um momento de união e principalmente de solidariedade, onde quem está bem deve estar sensível aos outros.

2h37 - Se o país parar hoje, é bonito de se ver e eu em princípio não passo mal (há comida no frigorífico).

Foto Antiga - Peditório para o Cavaco Silva (quando contou a anedota de não lhe chegar a reforma)
Belém - Janeiro 2012





3h20 - Um exemplo das tais impossibilidades de aderir às causas, que mencionei acima, no P3O melhor que Francisca (...) pode fazer (...) é ir trabalhar. Palavra da própria, licenciada em Ciência Política a trabalhar como comercial a recibos verdes há dois anos. Se pudesse (...) parava (...). Mas o patrão marcou, estrategicamente, uma reunião para esse dia. 'Não estou numa posição negocial para dizer não. E o dinheiro faz-me falta ao fim do mês', admite.

11h00 - Os fixes dos vizinhos das obras de manhãzinha é que podiam ter feito greve...

12h41 - Há pessoas que nunca consigo levar a sério. É o caso de Passos Coelho que enaltece 'coragem dos que trabalharam hoje' (no Diário Digital). Eu enalteço a sua coragem para continuar a "mandar papaias"...

13h09 - Ao ouvir o Primeiro Jornal (SIC) suponho que motoristas, condutores e outros profissionais dos transportes ganhem muito bem. Só assim conseguem aderir a tantas greves por mês sem faltar comida na mesa...

13h19 - Primeiro Jornal: Adesão dos enfermeiros é superior a 50% (...) portanto nada de enfartes, de rebentamento de águas, de crises de asmas... bebam Actimel.

13h26 - O Passos a falar na SIC e a elogiar também os que não têm trabalho mas não desistem.  Pessoas nesta situação, sentem-se elogiados ou gozados? Um brincalhão, este Pedro.

13h28 - Ainda na SIC, Cavaco diz que não deixou de trabalhar. Que vida de mártir...

13h30 - Diz o Dinheiro Vivo que os "nuestros hermanos" estão a levar a coisa a sério. Adesão superior a 80%. 57 já foram detidos.

13h35 - Estou a gostar desta manifestação a nível europeu. A França não está imune e é pena que a Alemanha não perceba isso também.

19h22 - Estive na rua. Não ouvi ninguém falar da greve e, nos sítios onde fui, estava tudo a funcionar normalmente.

19h25 - Li agora sobre a chuva de pedras junto ao parlamento, com a polícia como alvo. Em Évora a adesão foi grande e pediu-se novo 25 de Abril. Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, afirma que esta é uma das maiores greves gerais de sempre. Tudo isto no Destak.

19h33 - Fui checkar o Público: foram ateados vários fogos ao longo da tarde, em Lisboa; carga da forte nos manifestantes, por parte da polícia; há feridos.

20h05 - Reacções às primeiras imagens do telejornal: 1. Estou com nojo da PSP; 2. Destruir calçadas para tentar magoar terceiros também é uma ideia de génio, palminhas para os portugueses de tal inteligência;

Um dia depois - No rescaldo da greve, no "eu fico do lado de a) ou de b)", sugiro um texto que apreciei bastante: O sôr desculpe, por acaso estava a apedrejar?, (por Henrique Monteiro no Expresso).
   Continuo a achar que a polícia foi demasiado severa (para além das imagens que me chocam - desculpem se sou humana -, já assisti anteriormente a casos onde os agentes estavam desejosos para desatar à cacetada e começaram a empurrar manifestantes que não representavam qualquer perigo e nem sequer um palavrão havia sido dito). Não significa, porém, que esteja do lado dos atrasados mentais que lançaram pedras. Orgulha-me o acto dos cidadãos com dois dedos de testa que tentaram fazer com que estes energúmenos parassem. E não entendo como é que, com tanto aviso, tanta gente permaneceu. Não ouviram? Queriam ver a festa? Pendo mais para a parte do não se ter ouvido. Li mais um texto, de um "manifestante pacífico" e mantenho a minha opinião de que a PSP abusou (espreitem aqui).
   Não estive presente, nunca vou saber se o que leio ou ouço aconteceu. Ainda assim, gosto de acreditar nos meios de informação que estão à minha disposição e indigna-me que, sendo o texto acima colocado baseado em factos verídicos, metade da informação não me tenha passado quando vi o telejornal. Com má informação não podemos evoluir. Não podemos saber pelo que lutar e apoiaremos teses erradas. Agiremos movidos por uma fé falsa e provocaremos consequências que não queríamos. Estamos a pisar um campo de minas.

Comentários

  1. Como nao estou em portugal nao soube muito sobre a greve, mas ao ler o post ja fiquei mais dentro do assunto.

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  2. Não concordo com todas as suas observações mas, no geral, penso o mesmo.Parabéns por afirmar a sua personalidade e espírito crítico.Lá porque nos interessamos por moda, não deixamos de ser cidadãs conscientes e ativas *-*


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